1 m/s? 3 m/s? 5 m/s? Ou ainda mais?
Uma correia transportadora industrial pode percorrer vários metros em apenas um segundo. Mas não existe uma velocidade padrão que funcione para todas as linhas.
O material transportado, a largura da correia, a capacidade necessária, o carregamento e até a forma como o produto será descarregado interferem nessa definição.
É por isso que duas correias aparentemente semelhantes podem trabalhar em velocidades completamente diferentes.
Afinal, qual pode ser a velocidade de uma correia transportadora?
Para ter uma dimensão, 5 m/s equivalem a aproximadamente 18 km/h.
Em uma hora, mantendo essa velocidade, um mesmo ponto da correia teria percorrido aproximadamente 18 quilômetros.
E existem aplicações industriais trabalhando nessa faixa e até acima dela.
As recomendações apresentadas pela CEMA mostram faixas máximas que variam bastante conforme o material e a largura da correia. Em determinados cenários industriais, as referências passam de 6 m/s e podem chegar a aproximadamente 7 m/s.
Isso não significa, porém, que quanto mais rápida a correia, melhor.
O material transportado muda tudo
Essa é uma das principais variáveis.
A CEMA aponta que a velocidade adequada depende fortemente das características do material transportado, além de fatores como largura da correia, capacidade, tensão e equipamentos de carga e descarga.
Materiais diferentes exigem comportamentos diferentes.
Materiais finos ou pulverulentos
Velocidades muito altas podem favorecer geração de pó principalmente nos pontos de carga e descarga.
Por isso, materiais pulverulentos normalmente exigem atenção maior à velocidade.
Materiais pesados ou com arestas
Minérios e outros materiais pesados ou pontiagudos também exigem cuidado.
A diferença de velocidade entre o material entrando no transportador e a própria correia pode aumentar o atrito na região de carregamento e contribuir para desgaste da cobertura.
Grãos e materiais de livre escoamento
Materiais de livre escoamento e menos abrasivos podem permitir velocidades diferentes das utilizadas em aplicações severas.
É justamente por isso que não faz sentido definir a velocidade olhando apenas para o motor ou para a correia.
[link interno — correias transportadoras]
Então é só aumentar a velocidade para transportar mais?
Não exatamente.
A velocidade participa diretamente da capacidade de transporte, mas ela é apenas uma parte da equação.
Também entram nessa análise:
- largura da correia;
- área ocupada pelo material;
- densidade;
- ângulo de acomodação;
- inclinação do transportador;
- capacidade dos pontos de carga e descarga.
As referências da CEMA utilizam justamente velocidade, largura e volume de material como algumas das variáveis para determinar a capacidade de um transportador.
Ou seja:
aumentar a velocidade pode aumentar a capacidade, mas toda a linha precisa acompanhar essa mudança.
E isso já abre outra pergunta interessante:
quanto uma correia transportadora consegue carregar por hora?
Esse será assunto para outro Almanaque Roll Center.
A velocidade também muda a exigência dos componentes
Quando a velocidade sobe, os componentes da linha passam a trabalhar em outra condição.
Roletes giram mais rápido.
Tambores trabalham com maior velocidade periférica.
Sistemas de limpeza precisam acompanhar o movimento da correia.
Emendas e revestimentos também precisam ser compatíveis com a aplicação.
A própria CEMA utiliza a velocidade da correia como um dos fatores de classificação da severidade de aplicações de limpeza. Em seu Guide 576, por exemplo, aparecem categorias que vão de velocidades inferiores a 1,5 m/s até aplicações acima de 5 m/s.
Por isso, olhar apenas para a correia deixa metade da análise de fora.
[link interno — roletes para correia transportadora]
[link interno — tambores]
[link interno — cavaletes]
E na mineração?
Grandes transportadores utilizados na mineração podem combinar alta capacidade e velocidades elevadas para movimentar grandes volumes continuamente.
Mas minério também traz abrasividade, peso, granulometria e impacto para a conta.
Isso significa que buscar simplesmente a maior velocidade possível não é o objetivo.
A velocidade precisa trabalhar junto com a capacidade projetada e com as características do material.
Uma linha transportando minério pesado e abrasivo pode ter necessidades completamente diferentes de um transportador utilizado para movimentar grãos.
[link interno — correias transportadoras para mineração]
Por que não existe uma resposta única?
Porque a pergunta correta não é apenas:
“Quanto essa correia consegue correr?”
É:
“Qual velocidade faz sentido para esse transportador movimentar esse material nessa capacidade?”
É a combinação dessas variáveis que define a aplicação.
A CEMA reforça que cada transportador deve ser avaliado considerando questões técnicas, condição operacional, manutenção e características do material.
Curiosidade Roll Center
Uma correia trabalhando a:
- 1 m/s percorre 3,6 km em uma hora;
- 3 m/s percorre 10,8 km em uma hora;
- 5 m/s percorre 18 km em uma hora;
- 7 m/s percorre 25,2 km em uma hora.
Isso considerando o movimento contínuo da correia.
Então, na próxima vez que você estiver ao lado de um transportador trabalhando a 5 m/s, pense nisso:
aquele ponto da correia está passando por você a aproximadamente 18 km/h.
A velocidade precisa conversar com o restante da linha
Na Roll Center, trabalhamos com correias transportadoras, roletes, cavaletes, tambores, mesas de impacto, motores, redutores e outros itens envolvidos na movimentação de materiais.
Quando existe necessidade de substituição ou definição de um item da linha, entender velocidade, carga e aplicação ajuda a evitar uma especificação olhando apenas para medida.
Precisa de correia ou componentes para seu transportador?
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Fontes técnicas
CEMA — Belt Conveyors for Bulk Materials
CEMA — Belt Book Corrected Pages
CEMA Guide 576 — Classification of Applications for Bulk Material Conveyor Belt Cleaning